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17.Nov - Deus é brasileiro!
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Deus é brasileiro!

ESTÁ PROVADO, DEUS É MESMO BRASILEIRO !


A revista Veja, na penúltima edição do ano de 2001, publicou uma pesquisa confiável, realizada no país, que concluiu que 99% dos brasileiros acredita em Deus. Não é a toa que a gente vive dizendo: Deus é brasileiro! Segundo o resultado da pesquisa Ele é mesmo, ao menos em credibilidade e popularidade.


Graças a Deus, diriam alguns, usando uma expressão muito comum na vida do brasileiro, apesar de nossos regionalismos que, mais ou menos, assim se expressariam: graças a Deus tchê; graças a Deus uai; graças a Deus mermo, Graças a Deus xente ou graças ao meu paim Deus...


Os mais susceptíveis aos sentimentos nacionalistas bradariam: Deus é nosso!


Na verdade, Deus faz parte da vida do brasileiro. Para comprovar basta prestarmos atenção às conversas cotidianas em paradas de ônibus, bares, filas, academias, consultórios, supermercados, lojas, bancos e tantos outros lugares, freqüentados pelo povo, que, sem perceber, fala de Deus a todo instante.


Meu Deus, Deus do céu, Acuda meu Deus, Deus me livre, Graças a Deus, vai com Deus, que Deus abençoe e se Deus quiser, são expressões corriqueiras, no linguajar do nosso povo, que, indistintamente, usa o nome de Deus em diversas circunstâncias, até mesmo nas mais impossíveis e inimagináveis!


O fato, visto sob a ótica da comunicação, nos permite concluir que Deus está na boca do povo, ocupando os primeiros lugares em popularidade, e esta, sem dúvida, é uma informação significativa para o nosso marketing católico.


Somente o fato, comprovado por pesquisas, de que o brasileiro acredita em Deus, já bastaria para investirmos numa comunicação maior de Deus junto a esse povo, que crê n Ele e O mantém em seus lábios, faltando, apenas, ser inserido, corretamente, em seu coração e em sua conduta.


E esta, amigos e amigas, é uma tarefa onde o marketing pode ser muito útil pois, em síntese, ele existe para detectar e atender as necessidades das pessoas.


Deus é, inegavelmente, uma necessidade do povo brasileiro, que provou acreditar n Ele e anseia conhecê-Lo, porém que necessita, ainda, experimentá-Lo, efetivamente, em suas vidas.


Nós, cristãos, conscientes e praticantes, sabemos que o fervoroso povo brasileiro necessita passar por experiências vivas de Deus, para saltar do estágio do crer apenas, para começar a vivenciá-Lo, plenamente, em sua vida.


O grande "boom" místico, observado no país, na última década do século passado, com surpreendentes manifestações de religiosidade, com sacerdotes atraindo multidões para suas celebrações, com o crescimento dos grupos evangélicos e a multiplicação de seitas místicas, comprova que o brasileiro busca Deus de qualquer forma, e onde Ele, supostamente, estiver disponível!


Precisamos aprender a comunicar Deus, com mais simplicidade e maior objetividade, de maneira que todos, sem exceção, possam entendê-Lo para, posteriormente, amá-Lo e, enfim, obedecê-Lo.


Se, por comodismo, negligência ou incompetência, não o fizermos, outros, com propostas mais diretas, e até oportunistas, o farão, atraindo para si parte do rebanho de fiéis católicos sacramentados, mas, infelizmente, ainda não praticantes.


Jesus, o grande comunicador do amor de Deus, nos deixou pistas de sua formidável estratégia de marketing, capaz de suplantar o judaísmo, envolto em longos rituais, severas leis e complexos cultos, que desanimavam e afastavam os seus seguidores.


Aos duzentos e tantos preceitos da lei judaica, existentes na época, difíceis até mesmo de serem memorizados pelo povo, Ele propôs dois únicos mandamentos, que sintetizavam os demais: Amar a Deus e ao próximo, como a si mesmo. Afirmava Ele, às multidões sedentas de Deus: fazei isto e ganhareis o céu!


Às complexas doutrinas teológicas, inacessíveis ao povo, na sua maioria analfabeto, ele antepôs interessantes parábolas, estórinhas simples e inteligentes, que ajudavam os fiéis a visualizarem e compreenderem o infinito amor de Deus e Sua grande misericórdia.


E isto, era mais do que suficiente para que este povo, simples e inculto, entendendo a mensagem, procurasse corresponder a esse amor misericordioso de Deus, buscando viver de acordo com Suas leis.


Substituindo os demorados e enfadonhos cultos judaicos, Ele instituiu uma ceia frugal, onde partilhou pão e vinho, gesto trivial, simples e simbólico mas de uma profundidade incrível, sugerindo que, em Sua memória, fizessem o mesmo com os que os cercavam, partilhando também o seu amor, os seus dons e os seus bens.


Em contrapartida às complexas e longas orações proferidas, ostensivamente e em alta voz, pelos fariseus, nas esquinas e no templo, Ele ensinou-os a rezarem, na intimidade e objetivamente, chamando Deus de Pai, ou melhor, de papaizinho, fato que O tornava muito mais íntimo e bem mais próximo do povo, facilitando, extraordinariamente, a comunicação.


Ao temível, brutal, radical e doloroso ritual da circuncisão física, que afastava os prosélitos da prática comprometida do judaísmo, ele propõe a "circuncisão espiritual" dos corações, rompendo o "prepúcio" que os envolve, permitindo que todo potencial de amor, lá existente, possa ser liberado e repartido.


Opondo-se aos discursos, eminentemente teóricos, dos doutores da lei, que impunham ao povo difíceis normas e preceitos, que eles próprios não observavam por sua radicalidade e dureza, Jesus pratica o amor e o perdão, demonstrando que religiões existem, acima de tudo, para serem vividas, na prática e no testemunho de vida, e não, apenas, na teoria ou na imposição de ritos e sacrifícios, aos outros.


Às complexas e indecifráveis definições teóricas de Deus, propostas pelos escribas e fariseus, Ele Se apresenta como o Seu Filho encarnado e Se identifica, por fim, por meio de exemplos, fáceis e assimiláveis pelo povo simples da época.


Inicia, usando a necessária ferramenta da pesquisa, ao indagar os discípulos perguntando-lhes: Quem dizem os homens que Eu Sou, para detectar a percepção popular sobre Sua divindade. Constata um desconhecimento generalizado, por parte de todos, que O confundem como uma reencarnação de antigos profetas.


A partir daí, desenvolve, estrategicamente, um brilhante plano de comunicação, comparando-Se com realidades concretas, perceptíveis no cotidiano popular, visando a correta compreensão do povo, quanto a Sua divindade e missão.


É interessante observarmos, pela narrativa do evangelista João, que Jesus Se revela gradualmente, comparando-se, no início, com realidades bastante simples: Eu sou o pão, Eu sou a luz, Eu sou a porta, Eu sou o bom pastor, para depois aprofundar-Se em verdades mais complexas: Eu sou a ressurreição e a vida, Eu sou o caminho, a verdade e a vida e, finalmente, Eu sou a videira verdadeira.


Vemos que: ressurreição, vida e verdade, temas bem mais abrangentes e complexos para a total compreensão do povo, só são abordados após uma iniciação catequética, com comparações mais simples como o pão, a luz e a porta.


Isto, amigos e amigas, nada mais é do que a prática empírica daquilo que hoje classificamos de marketing: levantar as necessidades do povo por meio da pesquisa, para ir ao encontro delas, de maneira acessível, atraente e compreensível.


Será que não estaríamos "pecando" ao oferecer Deus ao povo por uma comunicação teórica e teológica demais, quando, seguindo o exemplo do Mestre, deveríamos comunicar a Verdade por parábolas e comparações menos complexas?


Será que as nossas celebrações litúrgicas, de simples ceia, por Jesus instaurada, onde repartimos o pão da palavra e o pão eucarístico, não se reverteram, novamente, em pomposas celebrações complexas, cansativas e distantes do povo?


E quanto às pregações sobre Jesus, Seus ensinamentos e Sua vida, será que não estaríamos abusando da semântica, da teoria e da teologia, as vezes até sofismando, no lugar de tentarmos trazê-Lo até o povo usando exemplos, comparações e linguagem simples, por ele mais acessíveis ?


Costumo lembrar os padres, nas reciclagens que ministro ao clero, das aulas de retórica, assimiladas no seminário, que ensinavam que é preciso, para uma correta comunicação nas homilias, observarmos: a inventio (a descoberta dos argumentos), a dispositio (o arranjo das idéias) e, principalmente, a elocutio, que é a descoberta da expressão apropriada para cada idéia, que inclui o estudo das figuras ou tropos (emprego de palavra ou expressões no sentido figurado).


Aprendi, na escola da vida, redigindo textos de propaganda, a observar, ouvir e aprender a linguagem do povo para depois procurar comunicar-me, eficazmente, com ele, propondo-lhe produtos e serviços, numa linguagem adequada e atraente.


A propaganda, muitas vezes, é oportunista, valendo-se de modismos, fatos e personagens do momento, para atingir, com eficácia, o seu público-alvo.


A frase, o jargão, a rima, a expressão popular, a gíria, o personagem e o refrão da música de sucesso, que estão na boca do povo, se utilizados, estrategicamente e com conveniência, em nossas pregações e textos, ajudam, eficazmente, na fixação das idéias centrais do tema abordado.


Um pouco de humor, sem descambação, uma pitada de alegria aqui e um gesto de descontração acolá, colaboram, de maneira eficiente, para que sérias verdades sejam ditas, propagadas e memorizadas.


Sonho, um dia parar, por um tempo, para escrever um livro que denominaria: Parábolas Modernas, onde, por meio de histórias, colhidas no cotidiano, abordando temas e realidades atuais, adaptando-as ao Evangelho, possa esclarecer melhor às pessoas, o infinito amor de Deus e Sua inesgotável misericórdia, como fez o Mestre.


Finalmente, gostaria de ressaltar a importância da interatividade, do agente comunicador para com o público, em todos os processos e meios de comunicação, tão importante para que possamos envolvê-lo, objetivamente, no assunto em foco.


Jesus usou a interatividade para ensinar e fixar verdades, como no encontro com a samaritana na fonte, onde revelou, por meio de um diálogo oportuno e inteligente, Sua messianidade a uma pessoa totalmente leiga, num brilhante exemplo de utilização da técnica interativa, num processo inédito de conversão!


A interatividade tem o poder de transformar o ouvinte em agente, fazendo-o reagir e responder imediatamente, mesmo que apenas no interior de sua mente, às questões e propostas apresentadas por aquele que as comunica.


A interatividade elimina a perigosa passividade, que induz o receptador da mensagem à desatenção e à dispersão, envolvendo-o de tal forma que ele passe para um patamar ativo no processo, permanecendo atento e interessado no assunto.


O marketing aplicado à Igreja, nos ensina a observarmos isso e outras coisas, importantes e necessárias, para que, compreendendo as necessidades das pessoas que acreditam na existência de Deus, possamos incentivá-las à experimentá-Lo, profundamente, em suas vidas de tal maneira que, um dia, tenhamos um mundo melhor, onde todos, conhecendo e tendo experimentado o Deus verdadeiro, possam transmiti-Lo, uns aos outros, no dia a dia, criando, enfim a civilização do Amor.


Fonte: Antonio Miguel Kater Filho

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