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17.Nov - O preço da pompa
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O preço da pompa

Um dos maiores desafios da nossa Igreja na atualidade é o da acolhida dos fiéis “não praticantes”, que eventualmente aparecem às celebrações. Um exemplo especial desta situação ocorre com a Pastoral dos Noivos que precisa acolher de braços abertos, cativar e trazer de volta ao convívio comunitário àqueles que, muitas vezes, estão distantes há anos. Estes podem até já não acreditar nos valores pregados pela Igreja, mas não abrem mão de casar n’Ela – seja pela fé (própria ou dos pais), ou pelas “pompas” de um evento social cheio de rosas, luzes, músicas cinematográficas, tapete vermelho e é claro, a tão esperada marcha nupcial.


Antes de subir ao altar, esses fiéis precisam participar de um encontro de noivos, geralmente ministrado aos finais de semana ou à noite, em três dias da semana. São somente dois ou três dias para catequizar os jovens casais e apresentar-lhes uma proposta de vida cristã, podendo ser moderna e atual e, ao mesmo tempo, deve ser seguida com base nos três “SIMs” do casamento.


Nesse processo, é comum os agentes da Pastoral depararem-se com as seguintes questões:


- Como preparar um encontro para atingir um bom resultado?



- E, como conseguir despertar nos noivos o desejo de participar mais ativamente da vida comunitária na Igreja?


Inicialmente, é necessário entender o desafio que se tem pela frente. Os casais, em sua maioria, vão aos encontros obrigados por uma importante imposição da Igreja, e chegam à paróquia totalmente “armados”, preparados para encontrar um grupo de pessoas antiquadas com idéias ultrapassadas que provavelmente vão dar-lhes uma lição de moral.


O primeiro passo para uma boa acolhida é promover um ambiente descontraído, alegre, cheio de vida para recepcionar os casais. Na apresentação inicial, deve-se evitar muita formalidade e promover um momento informal de familiarização de todos. Convidá-los a revelar o nome, idade, tempo de namoro e talvez o time de futebol de cada um (por que não?). Enfim, descontrair o ambiente para quebrar a resistência inicial.


Em seguida, entender que no final de dois ou três dias, eles precisam sair do encontro com algum conteúdo assimilado. Aqui está a essência de tudo. É o momento em que os temas principais serão tratados e cada minuto é valioso para “ganhar” a confiança dos noivos. É necessário mostrar organização, didática e, acima de tudo, conhecimento sobre o que se fala. Temas fundamentais como o SAGRADO (o amor de Deus pela humanidade, o amor Ágape, a importância dos três SIMs do casamento) são essenciais e precisam fazer parte da programação, mas sugere-se escolher os casais mais preparados da Pastoral para ministrar as palestras ou colocações adequadas.


Escolher, por exemplo, um casal recém-casado, para falar dos desafios da adaptação da vida a dois, e um casal mais maduro, vividos e bem resolvidos, pra falar de educação dos filhos. Enfim, planejar para convencer.


No decorrer do encontro é necessário muita criatividade e dinamismo para envolver os casais em debates, em grupos e a sós, abordando os principais valores e desafios pastorais de nossa sociedade (fidelidade, sexualidade, concepção, diálogo, respeito mútuo, etc.). Dinâmicas, vídeos, testemunhos e mesas redondas são excelentes meios de facilitar o trabalho. A partilha gera a possibilidade de visualizar na experiência do outro, situações que vivenciamos e muitas vezes não sabemos como lidar. Isso traz segurança e identificação dos casais que se preparam para o casamento com a equipe que está ministrando o encontro de noivos.


Por fim, uma boa conversa com o pároco pode ajudar a fechar com chave de ouro um encontro de poucos dias, porém muito proveitoso. Mas, ATENÇÃO: a integração da equipe da Pastoral dos Noivos com o padre tem que estar afinada. Nesse momento, toda credibilidade gerada nos noivos pelas palestras, dinâmicas e atividades realizadas nos dias anteriores pode ser derrubada por uma contradição entre o que a equipe apresentou e o que o padre concluiu.


Seguindo esses passos, percebemos que o principal em todos os momentos é o testemunho que a equipe da Pastoral dos Noivos deve dar aos casais em formação. Mais importante que qualquer palestra ou atividade realizada nos dias do encontro, a experiência positiva de casais bem resolvidos e verdadeiramente felizes é a melhor forma de evangelizar esses fiéis “desgarrados”, que buscam na união a dois nada mais que a felicidade – pode e deve ser encontrada em uma vida cristã.


Fonte: Augusto Mariotto Kater

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